OS QUATRO NÍVEIS BÁSICOS DA PRÁTICA ESPIRITUAL
– ENCONTRAR TEU TIPO: MEDITAÇÃO
A meditação é frequentemente apresentada como uma chave universal, uma solução que serve para todos os problemas da mente moderna e caótica. Embora seja verdade que a prática tem potencial para todos os seres humanos, a viagem não é igual para todos.
Para abordar a meditação com a máxima eficácia, é necessário primeiro compreender a natureza fundamental da própria consciência.
Não nascemos como tábuas rasas no reino espiritual; chegamos com predisposições, um “esqueleto” psíquico que dita a forma como percebemos e interagimos com os mundos invisíveis.
Reconhecer o teu arquétipo é o primeiro e mais importante passo para transformar a meditação de uma tarefa frustrante numa poderosa ferramenta de evolução.
As quatro categorias abaixo são amplas. Alguém pode não se encaixar estritamente em só uma delas; pode encontrar-se em algum ponto intermédio ou oscilando entre elas. Identificar a sua disposição particular pode ser de grande ajuda para determinar a sua posição atual. Esse ponto em que se encontra não é “permanente”. São modelos básicos com os quais as pessoas nascem, já prontos. A partir daí, as decisões de avançar ou não em qualquer área afetam a pessoa material e espiritualmente, em caráter e disposição.
Defini arquétipos primários de praticantes espirituais, cada um com uma relação única com as dimensões física e psíquica.
Compreender em que categoria se enquadra permitirá adaptar a sua abordagem, antecipar desafios e aproveitar os seus pontos fortes inatos, minimizando os riscos associados a cada categoria.
A “Meditação” aqui é meramente auto-observação: é preciso observar quem se é, não apenas lendo a lista, mas à medida que se avança. Não há mais nada a fazer aqui para além de praticar o autoconhecimento e a honestidade consigo mesmo.
1. O Arquétipo Físico: A Disposição Física
O arquétipo Físico é ancorado, sólido e profundamente ligado ao mundo material. A sua consciência é densa, o seu foco é tangível e o seu modo primário de experiência dá-se através dos cinco sentidos. Para estes indivíduos, os domínios abstratos do pensamento e da emoção são secundários à realidade concreta do corpo físico e do seu ambiente.
O Desafio na Meditação: Quando uma pessoa do tipo Físico começa a meditar, muitas vezes não sente nada no início. As meditações, no entanto, funcionam. As subtis mudanças de energia, o sussurro silencioso da intuição e a expansão da consciência que os outros descrevem podem parecer ficção a níveis extremos. A sua mente não é “fofa” ou etérea; é um instrumento forte e pesado, concebido para navegar no mundo físico. Esta robustez pode ser uma dádiva se estiverem determinados a meditar, pois podem abrir-se gradualmente com muito menos medo do perigo em comparação com outras categorias mencionadas mais tarde. Como a sua ligação com o plano astral não é muito forte, as fases iniciais da meditação podem parecer entediantes, sem sentido ou até fisicamente desconfortáveis. Este estado passa, mas pode demorar. O seu maior benefício é que progridem passo a passo e não sofrem um colapso espiritual repentino.
Métodos que funcionam melhor para estes tipos: Técnicas como meditações de sondagem corporal, yoga ou pranayama (exercícios respiratórios) que criam fortes sensações físicas podem servir como uma ponte eficaz, dando à mente tangível algo a que se agarrar enquanto aprende lentamente a perceber o espiritual. Os exercícios físicos também fazem maravilhas para elevar estas pessoas.
As vantagens destes tipos: Uma vez que o tipo Físico ultrapassa a sua densidade inicial, atinge um nível de mestria espiritual incomparável. Constroem o seu poder sobre uma base sólida como rocha. Não são facilmente enganados, influenciados ou subjugados à medida que a sua inteligência e poderes espirituais se expandem. A sua evolução é um pouco mais lenta, mas é estável, profunda e duradoura. Tornam-se pilares de poder inabaláveis em qualquer empreendimento espiritual.
As desvantagens: Devido à falta de crença na meditação por esperarem efeitos materiais imediatos, podem desistir, rejeitá-la e, por isso, nunca progredir. Sem adesão, estes tipos podem perder todo o potencial principal descrito acima. Podem deixar-se levar pelo materialismo e nunca avançar. Estas pessoas são os construtores naturais da sociedade e são poderosas. A maioria das pessoas enquadra-se nesta categoria; isto não é mau em si, mas é manipulado pelo inimigo, que usa a sua expressão estritamente materialista para os seus próprios fins.
O Caminho para o Sucesso: A chave do arquétipo Físico é a persistência e a duração. A sua mente pesada não é uma fraqueza, mas sim um alicerce. Ela não se deixa abalar facilmente por qualquer perturbação psíquica passageira ou flutuação emocional. Enquanto outros podem ser levados pelas correntes astrais, o tipo Físico mantém-se firme. O seu caminho exige um compromisso mais longo e consistente. Devem encarar a meditação como um exercício físico: os resultados não se verificam numa única sessão, mas sim construídos ao longo de meses e anos de prática disciplinada.
2. O Arquétipo Equilibrado: A Disposição Equilibrada
O arquétipo Equilibrado existe no ponto médio harmonioso entre o físico e o psíquico. Não são nem excessivamente densos nem excessivamente etéreos. Apreciam tanto uma boa refeição como uma profunda reflexão, e transitam com relativa facilidade entre os planos material e astral. Este é um ponto de partida perfeito para a meditação.
O Desafio na Meditação: O tipo Equilibrado pode não ter um desafio único e avassalador, mas sim uma ausência de extremos. Pode não sentir a frustração imediata do tipo Físico, nem os resultados instantâneos e avassaladores do tipo Psíquico. O seu progresso pode parecer constante, mas lento, e podem questionar-se se estão a “fazer bem”. Podem ativar os seus centros psíquicos relativamente rápido assim que começam a praticar de forma consistente, mas a fase inicial pode ainda parecer um aquecimento gradual em vez de uma ignição repentina.
Métodos que funcionam melhor para estes tipos: A meditação equilibrada entre práticas físicas, controlo mental e progresso regular funciona melhor para estas pessoas.
A força do indivíduo equilibrado reside na sua versatilidade. Consegue experimentar uma vasta gama de técnicas, desde a visualização e mantras a exercícios respiratórios e observação silenciosa, obtendo sucesso na maioria delas. O seu caminho é o da integração.
Devem trabalhar conscientemente para construir tanto a sua base física, através de exercícios de ligação à terra como caminhadas na natureza ou disciplina física, como a sua sensibilidade psíquica, através da visualização e do trabalho energético.
O seu objetivo é manter o equilíbrio central enquanto expandem a consciência em todas as direções.
As vantagens destes tipos: O arquétipo Equilibrado tem o potencial para se tornar o adepto supremo, o verdadeiro espiritualista da ‘Renascença’. Ao cultivar conscientemente tanto o seu enraizamento como a sua sensibilidade, ele pode aceder ao poder do tipo Físico e à percepção do tipo Psíquico sem cair nos extremos de nenhum dos dois. Ele torna-se a ponte perfeita, capaz de traduzir verdades espirituais de alto nível em ações práticas e mundanas, ancorando experiências psíquicas abstratas na realidade tangível.
Desvantagens: Se estes tipos equilibrados não forem motivados pela vontade própria, o resultado pode ser a estagnação, a inação ou a falta de progresso, uma vez que a forte força propulsora emocional pode ser limitada nestes tipos. Podem iniciar projetos e abandoná-los, ou geralmente querer “permanecer na média”.
3. O Psíquico Natural
O arquétipo Psíquico nasce com o seu “receptor” já activado. A sua mente é aberta, sensível e altamente recetiva ao mundo astral. Os pensamentos, as emoções e as energias do meio envolvente e de outras pessoas não são conceitos abstratos; são experiências viscerais do dia-a-dia. São os empáticos, os intuitivos, os sonhadores.
O Desafio na Meditação: Para o tipo Psíquico, meditar não se trata de abrir uma porta, mas sim de aprender a controlar a que já está aberta. No momento em que fecham os olhos, podem ser inundados por uma torrente de imagens, sentimentos, vozes e energias. O seu principal desafio não é a perceção, mas sim a filtragem. Esta extrema impressionabilidade torna-os vulneráveis a perturbações psíquicas, sobrecarga emocional e esgotamento energético. Conseguem absorver a negatividade dos outros como uma esponja, e as alterações no ambiente energético podem desequilibrá-los completamente. A sua sensibilidade, se não for controlada, torna-se uma fonte de fraqueza e instabilidade.
Métodos mais eficazes para este tipo de pessoas: Qualquer meditação terá um efeito rápido nestas pessoas. Conseguem sentir a meditação. Por isso, podem praticar qualquer meditação de acordo com a harmonia do seu progresso. Devem também praticar meditações que promovam o enraizamento, como o yoga, e definitivamente exercitar-se, pois ser demasiado intuitivo pode desconectá-los do mundo material. É importante que também tenham preocupações materiais no dia a dia e rotinas estáveis.
As vantagens destes tipos: Muito propícios à meditação e ao desenvolvimento. A sensibilidade deve ser substituída por poder e controlo, e não por mais sensibilidade. O seu caminho não se trata APENAS de se tornarem mais abertos, mas de obterem domínio e controlo sobre a sua abertura inata. Devem concentrar-se em técnicas de proteção, ancoragem, e limites energéticos. Devem aprender a escolher conscientemente quais as energias que permitem entrar e quais as que retêm. Podem tornar-se curandeiros, videntes e terapeutas energéticos poderosos, com a sua empatia transformada numa ferramenta precisa de perceção e influência.
As desvantagens: As pessoas com dons psíquicos naturais podem sobrestimar-se, pensando que são mais avançadas do que realmente são, ou perder-se em correntes energéticas; podem cair na preguiça ou no mau humor e, eventualmente, estagnar o seu progresso ou mesmo retrocedê-lo. A falta de equilíbrio, o evidente descontrolo emocional e a permissão para que a empatia e outras forças as dominem sem uma mente, um corpo e uma determinação fortes são prejudiciais e podem comprometer tudo o que possam ter conquistado “naturalmente”.
4. O Ultra-Psíquico: A Antena Psíquica
Esta é uma versão mais rara e extrema do tipo Psíquico. O indivíduo Ultra-Psíquico não é apenas aberto; é extremamente aberto. Pode ser muito espiritual, e poucas pessoas, se é que existem, se enquadram nesta categoria, apesar do que se pensa ou presume.
Estas pessoas estão espiritualmente “no limite” e, se não tiverem cuidado, podem inflamar-se durante a meditação, desenvolver problemas por “verem demais” e, em alguns casos, até doenças mentais. Pouquíssimas pessoas se enquadram realmente nesta categoria.
É aqui que a pessoa se encontra entre o “talentosa” e a beira da “loucura”. A falta de meditação adequada e de purificação da alma pode gerar níveis extremos de fragilidade nestas pessoas. A falta de um nível espiritual adequado, sistemas espirituais errados ou a crença em mentiras podem levá-las à loucura. Ambientes antiespirituais podem ser prejudiciais para elas.
Precisam de acalmar a mente com a meditação e a hipnose e aprenderem a se ancorar, para que mantenham a coerência e o equilíbrio internos.
Este elevado nível de recetividade é, normalmente, o resultado de um extenso trabalho espiritual em vidas passadas ou de uma poderosa linhagem ancestral de bruxas, magos, xamãs ou espiritualistas. Podem ser médiuns natos ou possuirem poderes espirituais inatos, como a clarividência involuntária adquirida por acidente.
O Desafio na Meditação: Para o Ultra-Psíquico, o perigo não é o bloqueio, mas sim a sobrecarga. O mundo astral não é um lugar que ele visite; está muito próximo dele. Isto pode levar a uma profunda sensação de alienação da vida material, dificuldade em distinguir os seus próprios pensamentos e sentimentos daqueles que capta, e tendência para viver na sua própria mente.
Estas pessoas podem perder-se completamente se não tiverem uma estrutura de meditação adequada ou não estiverem ancoradas na vida material.
Se eles se sobrecarregarem com meditação antes de estarem preparados, a sua sanidade mental poderá ser seriamente afetada. Necessitam de ancoragem no mundo e no plano material, e de progresso constante.
Tendem para o escapismo espiritual, utilizando a meditação não como uma ferramenta para uma evolução equilibrada, mas como uma forma de fugir às dificuldades e responsabilidades da existência física. O excesso de meditação pode exacerbar este desequilíbrio, levando-os a um maior distanciamento.
Métodos mais eficazes para estes tipos: Qualquer tipo de meditação pode afetá-los com muita facilidade. Terão poucos ou nenhuns problemas com o avanço espiritual; ele lhes virá sem esforço. Devem aprender a ver o mundo físico não como uma realidade inferior da qual se deve escapar, mas como o terreno sagrado onde os seus imensos dons psíquicos devem ser ancorados e aplicados. Devem aprender a ser uma força poderosa no mundo, e não apenas um observador sensível do mesmo.
As vantagens destes tipos: Extremamente abertos espiritualmente. Podem progredir rápida e facilmente, e possuem muitas faculdades abertas que outros levariam muito tempo a dominar. Isto pode ser interpretado como um “avanço superior”, mas é inútil a não ser que tenham uma existência material estável. Aquele que alcançou o equilíbrio é uma verdadeira potência espiritual. Com o enraizamento e a prática, pode tornar-se capaz de atos profundos de criação, cura e magia. Ao ancorar a sua imensa capacidade psíquica numa vida física estável, pode tornar-se um mago muito poderoso. Estas capacidades podem também ser a sua ruína ou guiá-los a níveis espirituais muito elevados.
As desvantagens: Desconexão com o mundo material, abuso de drogas, uma vida medíocre ou até mesmo doenças mentais graves são os perigos destes tipos. Se não estiverem em sintonia com o material, não tiverem uma bússola ética sólida ou não se concentrarem nas suas vidas, podem inflamar-se e arder como um rastilho com muito fogo, metaforicamente falando. Exagerar na espiritualidade, delírios profundos originados a partir de estados inferiores presumidos como superiores e outras formas de exagero podem existir naturalmente nestes tipos. Ancoragem é FUNDAMENTAL, e não “RECOMENDADA” para estes tipos.
O Caminho para o Sucesso: Devem priorizar as atividades físicas, a alimentação saudável, estabelecer rotinas e envolver-se em responsabilidades mundanas. Para eles, ancoragem não é uma prática complementar; é tão essencial como respirar. Devem aprender a ver o mundo físico não como uma realidade inferior à qual se deva escapar, mas como o terreno sagrado onde os seus imensos dons psíquicos devem ser ancorados e aplicados. Devem aprender a ser indivíduos poderosos, capazes de exercer limites espirituais e materiais.